LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Que o martírio de Lula alimente a nossa luta

Que o martírio de Lula alimente a nossa luta


lula

Na semana passada, a Folha de São Paulo publicou uma matéria tosca que pretendeu desdizer o que todos que têm acesso à mídia internacional sabem, que o mundo entende que há um golpe de Estado em curso no país. O título daquele texto vil: “Imprensa internacional não chama impeachment de golpe”.
Para chegarmos ao crime de lesa-humanidade que está sendo cometido contra a maior liderança política do país, pois, é preciso partir de outro processo análogo de ruptura do Estado Democrático de Direito. Vamos a ele.
Lendo o texto da Folha supracitado, descobre-se que, para fazer essa matéria, o jornal “avaliou editoriais de 11 dos principais veículos de mídia estrangeira”, mas que “não foram analisados artigos assinados, que refletem apenas a opinião do autor do texto, nem reportagens, que devem contemplar todos os lados envolvidos em determinada questão, sem emitir opinião”.
É curioso esse fim do parágrafo da matéria supra reproduzido. Afinal, o que o texto faz é justamente não contemplar todos os lados ao usar a meia verdade de que os editoriais não falam em golpe para passar a ideia de que não há uma avalanche de matérias na imprensa internacional que enxerga que está havendo um golpe no Brasil, usando ou não esse termo.
A razão de a Folha avaliar só editoriais, evitando reportagens e artigos assinados, é que se considerasse outros textos da grande imprensa internacional além da opinião oficial de cada veículo, teria que reconhecer que nos veículos estrangeiros a constatação de que há, sim, um golpe no Brasil é, literalmente, avassaladora.
O viés predominante nessas matérias da mídia estrangeira é o de considerar que foram buscar um pretexto qualquer para derrubar Dilma, de modo que o processo contra ela não passa de uma peça teatral destinada a legitimar uma decisão previamente tomada, a de tirá-la do cargo a qualquer preço sob uma suposta vontade da maioria.
E quando se diz que é “suposta” a vontade da maioria dos brasileiros de que Dilma saia do cargo isso se deve a que tal vontade só pode ser aferida pelas pesquisas de opinião feitas por institutos ligados a órgãos de imprensa que fazem oposição aos governos do PT há 13 anos.
Ainda assim, mesmo que fosse feita uma eleição plebiscitária para confirmar ou não o que dizem as pesquisas e a vontade de tirar Dilma vencesse, as regras do jogo vigentes na eleição de 2014 não previam “recall”, ou seja, possibilidade de interromper o mandato concedido a Dilma pelas urnas sem que ela tenha cometido algum crime de responsabilidade.
O que está acontecendo com o mandato de Dilma é oriundo da gana dos artífices do golpe em prenderem Lula. E a prisão do político mais popular e respeitado do Brasil – segundo pesquisas de opinião que afirmam que Lula é considerado o melhor presidente da história do país -, assim como a derrubada de Dilma, já foi decidida independentemente de provas.
O pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, para que inclua Lula nas investigações da Lava Jato, é muito mais uma peça publicitária que qualquer outra coisa.
Janot busca produzir efeitos político-eleitorais contra o ex-presidente. E sustentar o verdadeiro golpe contra ele, que reside no pedido de prisão feito pela Procuradoria paulista a Sergio Moro para que prenda o ex-presidente por conta da acusação de que um apartamento no Guarujá é seu e que o imóvel comprovaria “ocultação de patrimônio”.
Querem prender Lula, apoiado por dezenas e dezenas de milhões de brasileiros, sem julgamento.
Bye, bye, democracia.
A possibilidade de Lula ser preso está crescendo dia a dia. A ideia dos golpistas é ir desmoralizando o ex-presidente pouco a pouco, para que quando ocorrer sua prisão ela seja “aceita” pela sociedade. Para que seja até “esperada”.
Apesar dessa trama sórdida, Lula ainda é o político mais influente do país. Pelos menos uns 40 milhões de brasileiros querem votar nele para presidente. Além disso, movimentos sociais e sindicais organizados têm no ex-presidente um líder inconteste.
Com tantos factoides para promover a desmoralização de Lula, então, por que precisam prendê-lo assim, sem julgamento, antes de esgotadas todas as possibilidades de defesa?
É simples: o povo quer votar em Lula. Se ele fizer campanha, se for à tevê, ao rádio pedir votos, lembrando aos brasileiros quanto melhoraram em seu governo, e se disser ser vítima de um complô, acionará centros de memória das mentes brasileiras, lembranças que farão muitos – provavelmente, a maioria – acharem que vale a pena tentar dar uma nova chance a quem melhorou tanto a vida de tantos ao longo de seu mandato de oito anos.
Para contornar esse “problema”, os golpistas poderiam simplesmente tratar de condenar Lula em primeira instância, a toque-de-caixa, para que caísse na “lei da ficha limpa” e ficasse inelegível em 2018 – ou quando houver nova eleição presidencial. Porém, os golpistas temem que não seja suficiente.
O que Lula poderia fazer se estivesse inelegível? Ora, poderia ir ao povo que quer votar nele e dizer que o tornaram inelegível para que não possa desfazer o caos que a essa altura estará sendo perpetrado pelas políticas neoliberais de Michel Temer e do PSDB, com precarização do trabalho assalariado, interrupção de programas sociais, privatarias etc.
Inelegível, Lula poderia apoiar outro “poste”, como os golpistas chamam Dilma Rousseff ou Fernando Haddad, que Lula conseguiu eleger apenas com a sua palavra.
Ah, mas após Dilma o povo não vai dar outro voto de confiança a Lula votando em quem ele indicar, dirão os golpistas. É mesmo? Então por que vocês querem tanto prender Lula? Por que prender alguém contra quem não existe nada além de acusações de desafetos (novos ou antigos) enquanto que contra um Eduardo Cunha há provas materiais, documentadas, e não há hipótese minimamente concreta de que será preso?
A fragilidade das acusações contra Lula são espantosas. Escrevo após ler matéria do UOL dizendo que Janot afirma que Delcídio do Amaral, que com sua “delação premiada” foi responsável pela acusação do PGR a Lula, teria “provas” de que se encontrou com o ex-presidente…
Hein?!! E daí?!! A grande liderança do PT não poderia se encontrar com o líder do governo do PT no Senado? Não seria natural um encontro desses?
Ah, dirão os golpistas, mas Lula pediu a Delcídio para subornar Nestor Cerveró para que não fizesse delação premiada. É mesmo? Mas cadê as provas? Não existem. A prova é a palavra de Delcídio, que, obviamente, está furioso com o PT e com Lula por terem-no “abandonado” quando foi preso em flagrante. A acusação foi um jeito que ele encontrou de transferir para outro a pena pelo que fez. Cometeu crime e fica livre empurrando o crime para quem não o apoiou.
Bom demais – para o criminoso. Para a Justiça, é péssimo. É óbvio que Delcídio tem todos os motivos para mentir. Por isso, ele precisa provar sua acusação. Como? Problema dele. À Justiça cabe exigir provas. A menos que seu objetivo seja condenar Lula a qualquer preço.
Lula, portanto, está prestes a se tornar o grande mártir da esquerda brasileira, condenado sem provas em um processo kafkiano pelo crime de ter promovido a maior distribuição de renda de que se tem notícia na história do país, por tirar dezenas de milhões de brasileiros da miséria, por dar amor-próprio a um povo com histórico complexo de vira-latas.
Que o martírio de Lula, se se materializar – e rogo aos deuses para que tal não ocorra –, torne-se elixir a nos revigorar no combate à ditadura da “toga” que está se abatendo sobre o Brasil. Que nas ruas deste país sejamos milhões de Lulas, que em cada local por onde passarmos sejamos a voz rouca do povo, a voz de Luiz Inácio Lula da Silva.
Esperem para ver o que vocês vão armar prendendo Lula. Apenas esperem. Vocês irão se arrepender, golpistas malditos!

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