LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 24 de julho de 2016

A imagem mais fiel do golpe!

Mais um exemplo da vil relação entre a mídia e o golpe. O caso "Temer devolve Furnas"

globo e temer


Por Tadeu Porto* (@tadeuporto) colunista do Blog O Cafezinho


Imaginem, nem que seja por um pequeno instante, a seguinte situação: Dilma assume a presidência e, em entrevista a um jornal de grande circulação, responde a uma pergunta específica com a seguinte frase: "A bancada do PT de Minas está acertando com a Petrobrás. Vou devolver a estatal a eles".

Oras, parece não ser tão difícil projetar o que aconteceria. Vejamos:

Reinaldo Azevedo escreveria uma coluna do tipo "Horror, horror!! Petralhas querem o Brasil de volta!"; Diego Escosteguy faria um periscope explicando como a presidente pretende retomar o esquema de corrupção; o MBL chamaria uma manifestação contra o ~aparelhamento~ da Petrobras (e pedindo para banir venezuelanas do Miss Universo); Veja e Época publicariam revistas com a Dilma na capa e títulos derivados de "O esquema da Lava-Jato volta"; A Folha daria destaque ao título "Dilma volta a roubar a Petrobras" para depois publicar um erramos no rodapé da caderno Folha Corrida; William Bonner gastaria 20min no JN passando a imagem de um oleoduto escorrendo dinheiro; e, por fim, Aécio Neves apareceria em todas as mídias para se dizer contra esse "absurdo" e que vai fazer o possível para "moralizar o país e acabar com a corrupção e com o PT".

Agora peguem a mesma abstração que propus no primeiro parágrafo, substituam Dilma por Temer (sei que é difícil, mas é só virtualmente), PT por PMDB e a Petrobrás por Furnas.

O interessante é que o resultado dessa combinação existe no mundo material e aconteceu, há três dias, numa entrevista do vice-presidente decorativo ao Estadão.

Para ser mais preciso, cito aqui o próprio Michel: 

"Estamos examinando com calma. A bancada do PMDB de Minas está acertando com Furnas. Vou devolver a estatal a eles. Furnas pode ser mais expressiva politicamente do que o Turismo. Tem Chesf, Eletronorte, Eletrosul, Itaipu..."

No melhor do minerês, prestenção nesse trem: o presidente em exercício, que precisa de votos no senado para se efetivar (e pode compra-los com favores), diz para todo o país ler e escutar que vai aparelhar uma das maiores estatais do país.

E o que acontece na chamada grande imprensa? Quase nada, se não fosse a coluna do Bernardo Mello da FSP. Nenhuma treta foi iniciada e nada de negativo ao governo apareceu, como se nossos veículos de comunicação fossem centros avançados de deboísmo (aliás, aqui vai um exemplo do Reinaldo Azevedo super deboas com delações) .

Quer dizer, existe uma empresa pública - interesse direto da população - sendo investigada por possíveis atos ilícitos de pessoas que já não fazem mais parte da companhia e o chefe do executivo interino afirma, com toda a tranquilidade do mundo, que vai devolver a empresa para as mãos do grupo que pode ter a lesado.

Vale relembrar que a proximidade de Aécio Neves e o PMDB mineiro, em seus tempos de "Lulécio", foi tamanha a ponto do ex-governador mineiro ser cogitado a se candidatar a presidente ainda em 2010 pelo Partido de Temer (a convite deste). Ou seja, o "mais vulnerável", o campeão de aparecimento em delações caso de Furnas, o menino que, segundo delatores, levava um terço só para ele (e olha que dividia o resto com um país inteiro e com o maior estado da federação) pode ver seus coleguinhas voltarem a dirigir a empresa no melhor estilo "Vale a Pena Ver de Novo".

E tudo isso sem nenhum protesto da mídia investigativa, tão entusiasta da maior investigação da história do país, a intocável - pelo menos por enquanto - operação Lava-Jato.

Uma mídia que aceita uma fala bizarra como a de Temer sem demonstrar a população a verdade - que devolver Furnas ao PMDB mineiro é como fumar cigarro para se livrar dos adesivos de tabaco - é muito mais do que golpista, é a materialização do que há de mais canalha nesse perverso jogo político que vivemos.


Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (SindipetroNF)


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